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ANÁLISE – NINGUÉM EXPLICA DEUS

Música&Palavra está de volta, e hoje analisaremos a canção “Ninguém explica Deus”, do Preto no Branco. Inclusive, nos últimos dias a internet ficou bem movimentada com algumas análises feitas sobre esta canção, e como muitos de nossos leitores já haviam pedido, pensei ser bom postar a análise hoje. Sei que muitos provavelmente irão discordar da análise, outros talvez até concordem, mesmo assim está aí, leiam, compartilhem e comentem, mas sejam amorosos nos comentários. (risos)



Nada é igual ao Seu redor
Tudo se faz no Seu olhar
Todo o universo se formou no Seu falar

Já em seu início, notamos que a canção tem o intuito de exaltar a grandeza do Senhor Deus, nestes trechos, principalmente como Criador de todas as coisas. Gênesis 1 e 2 nos mostram claramente que o Eterno fez todas as coisas através de Sua Palavra, “Disse: Haja luz, e ouve luz”, e ao olhar Sua criação Ele viu que tudo era bom.

Teologia pra explicar ou big bang pra disfarçar
Pode alguém até duvidar sei que há um Deus a me guardar

Aqui algumas pessoas enxergam que a teologia está sendo menosprezada em detrimento da ciência, eu, no entanto, enxergo que o autor coloca a teologia em um patamar mais elevado que a ciência, tendo em vista que a teologia busca estudar e explicar Deus, os Seus atributos, Sua Palavra; e a teoria do Big Bang é algo que busca esconder Deus, disfarçando que um ser Supremo tenha criado todas as coisas e sugerindo que tudo tenha surgido ao acaso. E, mesmo com alguns duvidando da existência do Eterno Deus, o autor permanece firme em sua fé, crendo que Deus está a lhe guardar.

E eu tão pequeno e frágil querendo Sua atenção
No silêncio encontro resposta certa então
Dono de toda ciência, sabedoria e poder
Oh dá-me de beber da água da fonte da vida

Neste trecho a canção descreve a nossa pequenez e fragilidade diante do Deus Soberano e Absoluto. E segue enaltecendo o Senhor e declarando que Dele é toda a ciência, sabedoria e poder, assim como é evidenciado por toda Escritura. E no fim traz à lembrança da mulher samaritana no poço de Jacó, em João 4, que pede ao Senhor que lhe dê de beber da água viva.

Antes que o haja houvesse
Ele já era Deus
Se revelou ao seus
Do crente ao ateu / Do gentio ao judeu
Ninguém explica Deus

Assim como nas outras estrofes, a canção segue exaltando a Deus, com a belíssima declaração de que “Antes que o haja houvesse, Ele já era Deus”. Particularmente, gosto muito dessa frase, pois demonstra quão grandioso é o Senhor Deus, que já existia antes de toda e qualquer coisa, antes mesmo do tempo ser tempo, e antes que Ele mesmo por Sua Palavra trouxesse a luz à existência, Ele já era Deus. E este Deus Eterno se revelou aos seus através das Escrituras. É fato, também, que Ele nos explicou sobre Si mesmo através de Sua Palavra. Porém, de forma final e completa, ninguém explica Deus, seja ele gentio ou judeu, crente ou ateu, ninguém explica Deus por completo. Porém, a expressão “ninguém explica Deus” divide opiniões, mas trataremos dela no próximo parágrafo.

Ninguém explica, ninguém explica Deus
E se duvida ou se acredita
Ninguém explica, ninguém explica Deus

Aqui é onde a coisa complica mais, ou como se diz aqui no nordeste, é onde o caldo engrossa. A expressão “ninguém explica Deus”, se lida sem levar em conta todo o restante da canção será realmente uma frase antibíblica, mas se observarmos o contexto da canção, perceberemos que ela não incorre em erro bíblico. Erro de verdade é pensar que a canção está dizendo que ninguém explica coisa alguma sobre Deus, ou que nada de(ou sobre) Deus pode ser compreendido por nós. Interpretar esta frase assim é um erro porque a própria canção explica várias coisas sobre Deus, tais como o Seu poder de criar as coisas ex-nihilo(do nada), assim como o fato Dele ser detentor de todo conhecimento, sabedoria e poder, entre outras coisas. Então se torna óbvio, ao se respeitar o contexto da canção, que estamos tratando de que ninguém explica Deus por completo, e não que ninguém explica “nadica de nada” de Deus, pois seria no mínimo bobo a canção explicar algo sobre Deus e logo depois dizer que ninguém explica.

Uso como um exemplo para melhor compreender a frase, uma outra já bem conhecida: “Ninguém entende as mulheres”. Agora para pra pensar, quando alguém (ou até você mesmo) diz essa frase, está dizendo que ninguém entende nem uma coisa sequer sobre as mulheres ou que ninguém entende as mulheres de maneira final e completa? É óbvio, ao menos para mim, que se trata entender de maneira final. Quando um filho diz: “Eu não entendo minha mãe”, por conta de uma bronca ou alguma situação específica, ele não está dizendo que jamais entendeu ou entenderá coisa alguma sobre sua mãe, mas que sempre há algo que ele não entende, e acaba por surpreender-se muitas vezes.

De verdade, se eu lesse apenas o refrão, sem titubear diria que a canção é biblicamente incorreta, mas como bom leitor da Bíblia, já aprendi que texto fora de contexto é pretexto, então temos que sempre buscar respeitar o contexto de cada frase, e, neste caso, da canção como um todo. Portanto, se lermos o refrão sem nos esquecermos das estrofes, facilmente perceberemos que o que a canção diz é que ninguém explica Deus completamente.

Mesmo assim, diante de tudo o que já foi exposto, e mais uma vez afirmando que não enxergo na canção heresia alguma, não penso que ela seja uma canção que sirva para o período de louvor do culto público. Digo isto porque há algumas partes nela que são subjetivas, e por isso permitem que cada um tenha a sua própria interpretação do que foi cantado, o que é algo que não concordo que haja nos períodos de louvor na igreja. Penso que toda canção que venha a ser entoada em nossos cultos devem ser objetivas, Deus é Deus, Santo é Santo, cruz é cruz, sem subjetivismo, sem “mas o que ele quis dizer é isso”, no fim das contas não me importa o que o autor quis dizer, mas o que ele disse.

Espero que a análise tenha sido proveitosa para você.

Que o Senhor te abençoe.

Victor Augusto


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