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ANÁLISE EP – DEVANEIO – MARCO TELLES

No início do segundo semestre do ano passado, o cantor e pastor Marco Telles lançou o seu mais recente EP, DEVANEIO. Este álbum é a parte 2/4 do projeto “O Precioso Evangelho de Cristo”, onde a parte 1/4 tem por nome Prelúdios de Eternidade e buscou tratar puramente da criação, além de falar também do que ocorreu antes de Gênesis 1, o que ocorreu, de fato, nos prelúdios da eternidade.

Mas o nosso assunto aqui é outro, vamos falar deste grande álbum que é o DEVANEIO. Esse disco trata, em suma, sobre um tema: PECADO. Isso já é de se espantar, tendo em vista que o que menos se ouve em nossos tempos é sobre o pecado. Os músicos já não cantam sobre o pecado, os pregadores não pregam mais sobre o pecado, pois isso parece não ser “politicamente correto”, não é agradável, dizer que pessoas irão para o inferno se continuarem em seus pecados e desobediência é algo muito forte e que não nos agrada o ego, apenas nos coloca no chão e nos mostra o quão dependentes somos do Pai.

Percebo já no conceito da identidade visual do encarte as ligações com o álbum anterior, e o tom sombrio que ela trás também ajuda a entender o peso que estas canções possuem. A bela e cheia de vida arvore do Prelúdios de Eternidade agora é uma arvore seca e sem folhagem, além do corvo presente na capa e em destaque na imagem do CD, que traz uma simbologia de morte. Logo comparo e enxergo a devastação causada pelo pecado. A criação que outrora foi bela e cheia de vida agora está seca e morta em seus pecados.

Já tratando sobre a primeira faixa, que tem por título indesculpáveis, que nada mais é que primeiros capítulos de Romanos com um bom rock n’ roll por trás. A intro da canção, com orgão, deixou-a com uma pegada bem assombrosa. Além da excelente introdução, vale ressaltar que a canção trás um instrumental fantástico, um solo de guitarra espetacular, e uma grande novidade que foi o rap com o Marcelo Agra. Sobre a letra, não há muito o que dizer, só me resta parafrasear Romanos 7 junto ao Marco e declara: “miserável homem que sou, quem me livrará do que sou? Quem me livrará do poder de Sua irá?”

Na segunda canção, temos a Juliana Tavares repetindo a dose do Prelúdios e marcando presença com mais um excelente solo. Desta vez em Babel, canção escrita por ela mesma, seu esposo Elias(bateria) e o Marco Telles. Esta canção trás um resumo da história da Torre de Babel, e muito bem consegue exprimir a essência do ocorrido e o quão tola foi ideia de chegar-se ao Senhor Deus através da construção de degraus, como se por nossas próprias obras pudéssemos alcançar o Divino. E o triste é ver que, mesmo sem degraus físicos feitos de pedras, a história se repete e os homens continuam tentando achegar-se a Deus por suas próprias capacidades.

Na terceira faixa encontramos uma Confissão, que é o nome da canção, e que mexeu bastante comigo. Me enxerguei nela, e a melodia também mexe mesmo com quem ouve. De fato, eu tentei… e no final, quando esgotei as minhas fontes, dei ouvidos ao meu próprio coração, só restou em mim o desespero de alguém que se encontra à deriva. Confinado em minha própria liberdade, fui traído pelo mal que há em mim, condenado por acreditar em mim. Essa canção, ao menos a mim, mostra alguém que tentou, tentou, mas reconheceu que por si mesmo não consegue chegar a Deus. Ele reconhece isso, depois de ter suas fontes esgotadas e ouvindo o seu enganoso coração encontrou-se diante de uma desesperante sensação de um barco à deriva, e preso em sua própria liberdade(falsa liberdade, diga-se de passagem, pois apenas em Cristo há liberdade genuína) é traído por si mesmo e encontra-se condenado e procurando uma rocha firme onde se possa resistir aos fortes ventos da vida, onde exista um lugar seguro, pois nele mesmo não há segurança alguma nem força que o faça resistir de pé. E por fim ele percebe que não consegue, pois sua vontade está presa ao pecado e o seu querer submisso às suas paixões. É, diante de uma canção como essa só posso gritar que, assim como o personagem, eu NÃO CONSIGO! Louvado seja o Senhor, pois Cristo é a Rocha firme e Eterna onde podemos encontrar abrigo e proteção.

A quarta faixa, Próton Evangelho, traz bastante intimismo, e facilmente nos envolve com seu dedilhado no violão e as belíssimas vibrações das cordas do violino. Envolvidos em todo este intimismo, encontramos Adão cantando sobre o que aconteceu por sua desobediência, que o fez abrir os olhos e esconder-se do Pai Celeste. Mas que mesmo com graves consequências por seu pecado, o Senhor Soberano do Universo o agasalhou não apenas com pele de animal, mas com a promessa de que o menino Deus viria. E veio!

A faixa declínio é uma ministração e, de propósito ou não, é a número cinco, mesmo número da faixa Antes do princípio, ministração do álbum Prelúdios de Eternidade. Não há muito o que dizer sobre essa ministração, apenas o que peço é que a ouça! As verdades que são ditas nessa ministração são profundíssimas. Ela fala de como o pecado afetou ao homem de maneira total, e que as consequências desse pecado foram fatais, de como o belo se tornou bizarro. Todos nós nascemos pecadores, em Adão, mas em Cristo, somente em Cristo, há salvação. Somente Nele! E é isso que a faixa declínio nos mostra.

Se, para mim, Próton Evangelho ficou uma canção intimista, Às margens da Babilônia é, portanto, todo o intimismo que se poderia ter no álbum inteiro incluso em apenas uma canção. Que melodia linda, Nuno Mello arrebentou no piano, e Marco na interpretação. Ela inicia-se com a citação do Salmo 137, e é possuidora de uma angústia sem igual, você consegue sentir a tristeza que a canção traspassa. Existem lágrimas nessa canção.

A sétima canção do EP, Tributo à santa lei, declara que Felizes são os que andam na Lei de Deus e seguem os Seus caminhos, e que o conhecimento de Sua lei nos mostra o quão torto nós somos e o quão distantes estamos do padrão de Deus. Além disso diz “sem cansar” que a Palavra é lâmpada para os nossos pés, mas que os que não a conhecem andam no mais breu escuro.

Enfim, gostei muuuuito do álbum e já estou no aguardo do próximo. Parabéns ao Marco e toda sua equipe. Com certeza todos esforçaram-se bastante e deram o sangue para que um trabalho tão primoroso como este fosse feito. E parabéns pela iniciativa de tratar de um assunto tão em desuso pelo evangelicalismo no nosso país. Que o Pai levante mais pessoas corajosas como vocês para tratar de assuntos como esses. Louvado seja o Senhor Deus pela vida e pelos talentos de cada um de vocês!

Que o Soberano os abençoe.

Victor Augusto


Para maiores informações de como adquirir o EP DEVANEIO, clique aqui e entre em contato com o Marco Telles.

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